A poluição do ar mata. Quem lucra com isso?

Nos horários de pico, a fila de carros parece interminável. O barulho aumenta o estresse e as horas de espera prejudicam a rotina.

Essa é a realidade dos brasileiros que moram em grandes cidades e dependem do deslocamento para realizar as atividades do cotidiano. Para os motoristas rodoviários, que têm as ruas e avenidas como local de trabalho, o desgaste é ainda maior.

Mas existe um grave problema que muitas vezes passa despercebido quando o assunto é o trânsito: a poluição do ar.

Um estudo da Agência Internacional de Energia (AIE) de 2016 revelou que o setor dos transportes é um dos principais responsáveis pela emissão de óxido de nitrogênios e de monóxido de carbono, substâncias altamente cancerígenas.

As consequências são tão graves que a mesma pesquisa aponta a poluição do ar como responsável pela morte de 6,5 milhões de pessoas por ano no mundo.

Infelizmente esses números alarmantes não foram capazes de estimular o poder público a rever as políticas de transporte no Brasil. A frota de veículos no país chegou a mais de 43 milhões em 2017, ou seja, quase um veículo para cada quatro pessoas.

Como resultado, o Brasil soma mais de 50 mil mortes diretamente ligadas à poluição do ar, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade alerta para a relação direta entre o ar poluído e o alto número de acidentes vasculares cerebrais (AVCs), doenças cardíacas e câncer de pulmão.

Para o presidente do Sinttrol, João Batista da Silva, a falta de investimento em transporte público e o desprezo aos recursos energéticos menos poluentes contribuem para esse cenário.

“Do jeito que está, o transporte brasileiro é altamente lucrativo para o ramo do petróleo e para a indústria automobilística. Apesar de todos os alertas, os governos falham no investimento em transporte público, que poderia amenizar os riscos à saúde da população e, principalmente, dos trabalhadores que passam grande parte do seu dia no meio dessa poluição”, critica.

Soluções

Não existe uma fórmula pronta para amenizar esse cenário, mas muitos países, principalmente os desenvolvidos, vêm inovando na busca por soluções.

Eles estão passando por um tipo de “desmotorização”, processo de diminuição do número de veículos por habitante. O investimento em transporte público e o estímulo ao uso de meios de transporte não motorizados estão no centro dessa estratégia.

Já em relação às melhorias para o transporte coletivo, não faltam opções: a cobrança de um preço justo, o aumento da frota de veículos e o investimento em tecnologia podem diminuir bastante o número de carros particulares no país.

Além disso, existem diversos recursos energéticos que podem substituir os combustíveis fósseis – principalmente o óleo diesel. Como exemplo, é possível citar o gás natural, o etanol, o biodiesel e o biocombustível.

Mas por desafiarem interesses econômicos e políticos da indústria automobilística e do petróleo, essas soluções não são tratadas como prioridades. Nesse cenário, somente a pressão social pode garantir que governos e empresas de fato se preocupem com a qualidade do ar e com a saúde da população.

Fonte: Sinttrol

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