Consumo de drogas diminui a segurança nas estradas

O uso de álcool e drogas pelos motoristas brasileiros ainda é uma das principais causas de acidentes graves nas estradas do país. Mesmo com a intensificação da Operação Lei Seca, que testa o nível de álcool no organismo dos motoristas, ações visando identificar a utilização de outros entorpecentes ainda são uma dificuldade para as autoridades.

Na tentativa de combater o uso de drogas entre os motoristas profissionais, a lei 13.103/2015, que alterou o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), exige a realização do exame toxicológico para a obtenção ou renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias C, D e E.

A análise é feita a partir de amostras de cabelo e raspas de unha. O exame consegue detectar o consumo de cocaína, maconha, anfetamina e opioides em um período de até três meses após o uso. Em caso de resultado positivo, o motorista é considerado temporariamente inapto para realizar a função.

De acordo com o presidente do Sinttrol, João Batista da Silva, todas as medidas que auxiliem na diminuição de acidentes nas estradas são válidas.

“Os trabalhadores precisam colocar sua saúde e segurança em primeiro lugar. Consumir drogas para ajudar no cumprimento de prazos apertados impostos pelas empresas coloca a vida do motorista e de outras pessoas em risco. É preciso evitar o uso dessas substâncias, principalmente durante o trabalho. Isso garante a segurança do empregado”, ressalta João Batista.

Dados divulgados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) indicam que, desde quando o exame toxicológico se tornou obrigatório, houve uma redução no número de acidentes nas estradas federais envolvendo caminhões, ônibus e carretas.

Como funciona

Cada exame toxicológico realizado custa, em média, R$ 300. Desde quando a lei entrou em vigor, mais de 1 milhão de testes foram feitos em todo o Brasil. No total, 2,5% dos testes detectaram o consumo de drogas.

O método analisa a queratina, que funciona como uma espécie de caixa-preta do possível uso de entorpecentes. Isso acontece porque, mesmo após o desaparecimento da substância na corrente sanguínea, evidências do uso de drogas permanecem na proteína.

Cada centímetro de cabelo fornece informações de aproximadamente um mês de uso das substâncias. O exame brasileiro é realizado com amostras de, no mínimo, 3 centímetros – tamanho suficiente para analisar a utilização de drogas no trimestre anterior ao teste.

Fonte: Sinttrol

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