Mulheres quebram padrões e conquistam espaço entre os rodoviários

Desde cedo, na infância, as meninas e os meninos se apropriam de elementos que a família e a sociedade consideram masculinos ou femininos. Para eles, os carrinhos, as ferramentas, os super-heróis. Para elas, as bonecas, as panelas, as casinhas. Se uma menina pedir um carro de brinquedo de presente aos pais, certamente será repreendida com uma frase parecida com “Isso não é coisa de menina!”.

Esses padrões de gênero estão presentes em todos os âmbitos da sociedade. Por trás do carrinho e da boneca há, na verdade, a tentativa de naturalizar papéis sociais: os homens são tidos como aventureiros e independentes, enquanto as mulheres são consideradas caseiras e cuidadosas. Não é difícil notar que esse pensamento está em todos os lugares, inclusive no mercado de trabalho.

Mas uma forte onda de questionamento a esse padrão vem ganhando força. Mesmo com o preconceito, as mulheres têm ocupado setores profissionais que antes eram dominados apenas por homens, como a categoria dos rodoviários.

Elas foram ganhando reconhecimento pela qualidade do trabalho desempenhado e, hoje, transportam passageiros pelas rodovias, levam cargas de um estado a outro e conduzem os veículos do transporte coletivo, além de atuarem em outros departamentos do setor. São mulheres que ousaram quebrar os padrões e que, por questão de afinidade ou necessidade, estão ocupando um espaço que lhes é de direito.

Mulher no volante…

Trabalhar no trânsito é muito estressante. Agora imagine lidar com essa grande carga de tensão e, de quebra, ainda ter que aturar preconceito? Muitos relatos comprovam que a rotina das mulheres rodoviárias é assim.

A discriminação se manifesta de várias formas:  por meio de um olhar torto, de uma piada ou, em situações extremas, quando o passageiro se recusa a entrar em um ônibus pilotado por uma mulher. Nessas horas é que se vê a força de frases como “Mulher no volante, perigo constante”. Esse pensamento está tão enraizado no imaginário coletivo que essas situações constrangedoras ao invés de diminuírem, se multiplicam.

Mas tudo indica que a mulher chegou à categoria dos rodoviários para ficar. Muitas empresas têm contratado motoristas mulheres para a direção, uma conquista importante para a autonomia feminina e para a igualdade de oportunidades. Esse reconhecimento se deve, em partes, por elas serem mais prudentes na condução. Em 2016, por exemplo, apenas 25% das infrações de trânsito registradas no nosso estado foram cometidas por mulheres, de acordo com uma pesquisa do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR).

Para o presidente do sindicato, João Batista da Silva, esse cenário é um sinal de que a profissão está mais aberta e menos preconceituosa. “Hoje, a mulher ocupa diversos espaços da sociedade, não seria diferente com a nossa categoria. Neste Dia da Mulher, o Sinttrol reforça o seu apoio à batalha diária das trabalhadoras rodoviárias”, afirma.

Fonte: Sinttrol

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