Paraná registra uma morte causada por acidente de trabalho a cada 38 horas

Entre 2011 e 2015, foram registrados 253.721 acidentes de trabalho no Paraná, dos quais 1.158 resultaram em mortes – o que representa uma a cada 38 horas. De acordo com informações da Previdência Social, só em 2015 o Paraná registrou 47.337 acidentes. Esse dado coloca o estado como o quarto com maior número de acidentes desse tipo no Brasil, se considerados os números absolutos, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Ainda em 2015, foram 212 mortes, sendo que somente São Paulo (662) e Minas Gerais (304) registraram mais acidentes fatais. No mesmo ano foram gastos em torno de R$ 18,9 milhões no Paraná, em benefícios concedidos em função de acidentes de trabalho, enquanto o total nacional superou os R$ 289 milhões.

Conforme ressalta o presidente do Sinttrol, João Batista da Silva, grande parte dos acidentes poderiam ser evitados se as empresas cumprissem corretamente as normas técnicas e o uso de equipamentos de segurança. “Temos ainda o agravante da Lei da Terceirização. Com ela o cenário deve piorar, já que a maioria dos acidentes de trabalho ocorrem com trabalhadores terceirizados”, destaca.

Por que terceirizados sofrem mais acidentes?

Em março de 2017, o presidente Michel Temer sancionou a Lei 13.429/2017, que libera a terceirização de todas as áreas da empresa (atividade-fim e atividade-meio). Dados indicam que trabalhadores terceirizados ganham salários inferiores e trabalham em condições piores, já que o processo de terceirização está ligado ao aumento do lucro às custas da negligência na segurança do empregado e da exploração do trabalho, com jornada maior, ritmo mais acelerado e metas a cumprir.

De acordo com um estudo realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), referente a 2013, os trabalhadores terceirizados têm maior rotatividade no mercado. Eles permanecem empregados cerca de dois anos e meio a menos do que o trabalhador contratado e possuem uma jornada de três horas a mais por semana.

Além disso, ganham em média salários 24,7% menores e a cada dez acidentes de trabalho fatais, oito acontecem com terceirizados. A conclusão do DIEESE é que os terceirizados ocupam funções laborais mais precárias e arriscadas, com menos qualificação, em setores onde adoecem e estão mais expostos a acidentes.

Fonte: Sinttrol

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