Solidão é apenas um dos desafios do cotidiano dos motoristas rodoviários

A saudade da família, a solidão e a insegurança fazem parte da vida dos motoristas que passam boa parte do tempo na boleia, por conta da profissão. Jornadas longas e solitárias e períodos compridos na estrada são algumas das características da profissão, que deixa os trabalhadores por mais tempo fora de casa e do convívio familiar.

Os motoristas rodoviários brasileiros têm em média 18 anos de carreira e 44 anos de idade. Além disso, circulam aproximadamente 10 mil quilômetros por mês e trabalham cerca de 11,3 horas por dia.

Os dados são de uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), divulgada em 2016. Do total de trabalhadores entrevistados, 86,8% ressaltam que houve queda da demanda por seus serviços em 2015 em função da crise no país e 44,8% afirmam ter alguma dívida a vencer.

Desafios

A solidão nas estradas, contudo, está longe de ser o único desafio enfrentado pelos trabalhadores. A pressão do patrão para que os prazos sejam cumpridos deixa o motorista ainda mais tenso. Horários irregulares, estresse do trânsito e excesso de trabalho podem interferir diretamente no descanso, no sono e na alimentação do motorista. Más condições de conservação das vias e da sinalização de trânsito são uma constante também.

“É obrigação das empresas garantir condições de trabalho decentes, seguras e saudáveis aos trabalhadores”, afirma o presidente do Sinttrol, João Batista da Silva. Além da adoção de medidas para o cuidado com a saúde do trabalhador por parte dos empregadores, o presidente da entidade aponta que são necessárias melhorias em relação à segurança.

Isso porque há inúmeras ocorrências de violência em função de roubos de carga na estrada que colocam em risco a vida dos motoristas. Mesmo tendo consciência e orientação para não reagir, muitos trabalhadores acabam sofrendo traumas com a violência dos sequestros ou assaltos à mão armada.

Mas, mesmo com um cotidiano de trabalho duro e cheio de obstáculos, mais da metade das cargas (59%) ainda são transportadas pelas rodovias brasileiras.

Fonte: Sinttrol

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