Transporte público, um ambiente nada seguro para as mulheres

Não é novidade que a mobilidade urbana no Brasil está distante do ideal. Para os brasileiros que dependem do transporte público, os problemas são ainda maiores. A superlotação, o preço da passagem, a lentidão e a falta de segurança são apenas algumas das dificuldades cotidianas enfrentadas por essa parcela da população. Mas existe um medo que apenas as mulheres sentem: o de serem abusadas sexualmente.

Uma pesquisa realizada pela ONG Rede Nossa São Paulo revelou que o número de mulheres vítimas de abuso sexual no transporte público vem crescendo. Em 2018, 25% das usuárias da capital paulista foram abusadas em ônibus, trens ou metrôs. Já em 2019, o número subiu para 39%.

A ONG identificou também que quatro em cada 10 mulheres consideram que o transporte público é o ambiente mais propício para esse tipo de crime, mais do que as ruas ou as boates.

Cultura machista

Para compreender essa condição das mulheres, é preciso reconhecer que a sociedade insiste em manter uma cultura machista. Ela está presente em diversas relações – das mais íntimas às mais coletivas – e se manifesta, entre outros pontos, na retirada da autonomia da mulher sobre o seu próprio corpo. No transporte público, esse problema fica ainda mais visível.

O assédio sexual em ônibus, metrôs e trens infelizmente é uma rotina para as mulheres que vivem nas cidades brasileiras. Pesquisas realizadas com as vítimas indicam que o crime atinge mulheres das mais variadas idades. Trata-se de um problema coletivo que não será resolvido só com medidas de punição contra abusadores.

Algumas cidades desenvolveram campanhas contra o assédio sexual no transporte público. Outras, como São Paulo e Rio de Janeiro, criaram vagões de metrô exclusivos para o público feminino. Essas medidas são importantes, mas somente uma ampla conscientização sobre a cultura machista poderá mudar esse cenário a longo prazo.

Para o presidente do Sinttrol, João Batista da Silva, as empresas de transporte público precisam estar cada vez mais atentas aos perigos que as mulheres correm no dia a dia, mas a reflexão deve ser de todos.

“Além de ser crime, o abuso sexual é reflexo da ideia de que as mulheres não têm direito sobre os seus próprios corpos. Esse pensamento equivocado está por trás dos trágicos episódios de assédio que atingem as brasileiras. Isso precisa acabar”, afirma.

Fonte: Sinttrol

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